
Trajetória de bailarina cega com seu cão-guia, mostra como autonomia e inclusão deveriam ser direitos, mas são conquistas
Quem vê a graça e leveza da bailarina Giseli, não imagina a dura jornada enfrentada por ela, que nasceu com baixa visão, se tornou cega aos 16, e na idade adulta se formou em educação física, dança e yoga. Giseli Camillo tem 47 anos, é natural de São Paulo, e nasceu com catarata congênita, o que a fez ter uma infância marcada pela rejeição em diversas escolas e ser alvo de bullying por parte de colegas. Fato que levou a mãe dela, que só tinha o ensino fundamental, tirar a filha da escola e alfabetizá-la em casa. “Eu tinha baixa visão e ninguém naquela época entendia o que era, porque eu conseguia brincar me orientando pelo contraste, mas não conseguia enxergar no quadro. As professoras me chamavam de preguiçosa”, conta. Foi somente aos 24 anos que Giseli voltou a estudar: cursou supletivo, se formou em educação física, e, por último, fez especialização em dança e yoga. Atualmente Giseli, que ama o movimento, é professora de dança na Associação Fernanda Biachini, na capital paulista, onde coordena o balé de cegos, dando oportunidade para que outras pessoas como ela, sintam a mesma paixão. A bailarina já tinha superado muitos desafios e alcançado grandes vitórias, mas faltava algo que almejava desde pequena: autonomia. Ela ainda precisava de ajuda no caminho para o trabalho, para sair de casa. Mas há 9 meses a sonhada independência chegou na forma de quatro patas, e uma carinha cativante: Faísca, o cão-guia alegre e muito dócil, se tornou os olhos de Giseli. “O Faísca representa para mim amor, independência e autonomia, porque depois que eu recebi ele, além do fato de estar me guiando e eu não depender mais de ninguém, ele é puro amor”, relata emocionada. Agora as apresentações de Giseli, além





